Ferramenta clínica digital
Oitenta e quatro cartas para triar em três pilhas — não importante, importante, muito importante aos meus olhos — e depois, entre as muito importantes, os três ou cinco valores que mais contam. No consultório, por vídeo ou em supervisão.
A ferramenta
O jogo de cartas dos valores pessoais (Miller, C'de Baca, Matthews & Wilbourne, 2001; adaptação francesa de Ph. Michaud e D. Lécallier, AFDEM) pede menos que se fale de si do que se escolha: cada carta traz um valor e uma frase, e a mão a coloca numa pilha antes que a cabeça termine de argumentar. A triagem torna visível uma hierarquia que não se saberia dizer — e as hesitações, as cartas deixadas para depois, dizem tanto quanto as pilhas.
A ferramenta interativa prolonga o gesto das cartas sobre a mesa. As cartas aparecem uma a uma, na ordem do baralho ou embaralhadas; arrastam-se para uma pilha, retomam-se, mudam-se de pilha. Terminada a triagem, as muito importantes espalham-se e guardam-se as que mais contam, em lugares numerados. O profissional mantém o ritmo, não julga nenhum valor e guarda um registro para cruzá-lo com os dos outros membros do sistema.
Na sessão
A carta em curso aparece na parte de baixo do tabuleiro, com a sua frase. Arrasta-se para uma pilha, toca-se um botão, ou as teclas 1, 2, 3. «Mais tarde» recoloca-a no fim do baralho.
Não importante, importante, muito importante aos meus olhos: as pilhas enchem-se diante de todos. Um toque numa pilha espalha-a, e uma carta colocada pode ser retomada e mudada de pilha a qualquer momento.
As muito importantes espalham-se, e guardam-se as três ou cinco que mais contam, em lugares numerados. Depois, para cada uma, uma escala de 0 a 10 diz quanto ela se vive hoje: a distância entre o que conta e o que se vive abre a conversa.
A pessoa faz a triagem no seu próprio ecrã, na sua língua — francês, português ou inglês; o profissional vê o mesmo tabuleiro, ao vivo, e pode retomar ou passar a vez.
Durante a triagem, em torno dos valores guardados, em perguntas circulares, ou sobre a distância entre valores e vida cotidiana: apoios visíveis só para o profissional, nunca um roteiro.
Cada triagem terminada pode ser guardada, com o nome da pessoa: de uma triagem à outra, a ferramenta mostra os valores que vários membros de um casal ou de uma família têm em comum.
Contextos de uso
Clarificar o que conta quando faltam as palavras: nomear os seus valores, medir a distância com o que se vive, e escolher um primeiro passo na sua direção.
Cada um faz a triagem, depois as triagens cruzam-se: os valores partilhados, os que só um carrega, os que estão em tensão — e o lugar que o sistema dá a cada um.
Um suporte comum para explorar os valores do terapeuta, o que eles fazem à sua postura, e o que um acompanhamento põe à prova.
Confidencialidade. O diário das triagens e as perguntas de apoio ficam no espaço do profissional: a pessoa vê o tabuleiro, nunca as notas.
A ferramenta abre no navegador, sem instalação, no consultório como à distância.
Experimentar a ferramenta